Fonte: drfernandoalmeida.com.br

Dr. Fernando Almeida – Urologista da Unifesp

Mitos e verdades sobre IU

 

Mitos

 

1) Pisar no chão frio com os pés descalços provoca "friagem". Isso é um mito. A "friagem" é conhecida pela população leiga como o aparecimento de infecção urinária após pisar sobre qualquer superfície gelada... O que acontece é que algumas mulheres que sofrem de incontinência urinária por urgência (bexiga hiperativa) têm a bexiga estimulada por essa situação; situação esta que também pode ocorrer muitas vezes por molhar as mãos ou beber um copo de água gelado, por exemplo.

 

2) A Incontinência Urinária faz parte do envelhecimento. Isso é um mito. Existe uma combinação de vários fatores que levam a mulher a perder urina e dentre eles está a menopausa, que faz com que a mucosa uretral (a parte de dentro da uretra) fique adelgaçada (mais fina) e perca sua função de selo, pois ela é responsável pelo fechamento "passivo" da uretra.

 

3) Uma infecção urinária pode vir a se tornar Incontinência Urinária. Isso é um mito. Infecção urinária pode desencadear na mulher contrações involuntárias da bexiga, que ocorrem sem avisar; isso faz com que a mulher perca urina. Feito o tratamento da infecção está sanado o problema.

 

4) Só perde urina quem tem "bexiga caída". Isso é um mito. A "bexiga caída", que é conhecida pelos médicos como cistocele, pode cursar ou não com incontinência urinária. Muitas vezes o problema não está no mau posicionamento na bexiga e sim nos ligamentos que sustentam a uretra (canal por onde a urina sai) ou no sistema de inervação da bexiga (a bexiga pode "disparar" inconscientemente). Muitas mulheres não têm a bexiga caída e perdem urina.

 

5) A perineoplastia é a única cirurgia para a cura da Incontinência Urinária. Isso é um mito. A perineoplastia (que é uma cirurgia plástica do períneo e da vagina) é utilizada na sua maior parte para correção de traumas nesta região, em sua maioria causada por partos traumáticos. Esta técnica cirúrgica foi utilizada por muito tempo, como sendo a única opção (entre os ginecologistas) para tratar Incontinência. Hoje em dia esta técnica não está totalmente abandonada, mas existem outras técnicas cirúrgicas, muito menos agressivas (para a paciente) que resolvem o problema, como as cirurgias de Sling (ou de alça).

 

6) O exame de urina mostra qual o tipo de Incontinência Urinária da paciente. Isso é um mito. O exame de urina mostra se existe infecção na bexiga e também nos dá uma ideia do funcionamento dos rins, não serve para classificar a incontinência urinária. Para isso existe um exame bem específico que se chama "Estudo Urodinâmico" que é considerado o "padrão-ouro".

 

 

Verdades

 

1) Fazer exercícios físicos, como musculação, previne Incontinência Urinária. Isso é verdade. Se o exercício for orientado por profissional especializado e realizado com pesos adequados, haverá reforço de toda a musculatura pélvica e isso pode sim prevenir incontinência. Em contrapartida, se estes cuidados não forem seguidos a mulher pode apresentar lesões nervosas e musculares na região perineal e desenvolver incontinência urinária.

 

2) Mulheres que já gestaram possuem maior probabilidade de ter Incontinência Urinária. Isso é uma verdade. Existem trabalhos que comparam a incidência de incontinência urinária entre mulheres que já gestaram versus mulheres que nunca gestaram; chegou-se a conclusão que a gestação é um fator de risco para incontinência urinária, independente da via de parto e número de filhos.

 

3) As mulheres obesas perdem urina mais facilmente do que as "magrinhas". Isso é uma verdade. A obesidade é um fator de risco para a incontinência urinária, pois aumenta a pressão intra-abdominal, forçando de maneira exagerada as vísceras contra a pelve; por isso, muitas vezes orientamos perder peso como tratamento em conjunto a cirurgia.

 

4) As mulheres que têm o intestino preso perdem urina mais facilmente do que as que evacuam adequadamente. Isso é uma verdade. Pelo mesmo motivo citado anteriormente, o aumento da pressão intra-abdominal aumenta esse risco. Também orientamos as pacientes a mudar o hábito alimentar, aumentar ingestão de fibras e sempre evacuar "quando sentir vontade" e não somente em casa, o que é muito comum entre as mulheres.

 

5) A mulher grávida perde urina mais facilmente. Isso é uma verdade e ocorre por duas situações: a primeira e mais óbvia é pelo aumento do útero que "aperta a bexiga" e diminui sua complacência (capacidade de distensão da bexiga); além disso, ocorre a produção exagerada de um hormônio durante a gestação chamado progesterona que aumenta a chance e infecção urinária nesse período, que pode ser responsável por episódios de incontinência de urgência.

 

6) Quem tem diabetes pode perder urina. Isso é uma verdade. O controle inadequado do diabetes leva a uma produção exagerada de urina, que é fator de risco para incontinência urinária e também pode ocasionar lesões na inervação da bexiga, fazendo com que ela perca sua capacidade de contrair. Isso faz com que a bexiga encha de maneira exagerada e ocorre perda urinária por transbordamento (os médicos chamam essa doença de bexiga neurogênica).

 

7) "Prender a urina" faz mal. Isso é uma verdade. Essa situação ocorre com bem mais frequência do que nós imaginamos. Muitas mulheres têm o hábito de reter urina por muito tempo, seja durante o trabalho ou por vergonha de urinar fora de casa (o que é comum). Com o passar do tempo pode haver lesões na própria inervação da bexiga e levar a paciente a não mais conseguir urinar adequadamente.

 

8) A Incontinência Urinária atinge crianças e adolescentes. Isso é uma verdade. Sabemos que na infância, 85% das crianças devem apresentar a capacidade de "segurar" a urina até os 5 anos de idade, se isso não ocorre as mães devem esclarecer suas dúvidas com o pediatra, que saberá dar a melhor conduta. Já na adolescência são muito comuns desordens psicológicas, estupro ou agressão física sendo responsáveis pela incontinência urinária.

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